quinta-feira, 5 de abril de 2012

Olha só,

Quando você escuta a musica perfeita pra um momento que já passou há muito tempo atras e não faz mais sentido fazer tanto sentido.

terça-feira, 6 de março de 2012

Socialismo de sofá.

Caros leitores, saindo um pouco da minha prerrogativa usual desse blog, que consiste basicamente em resmungar sobre a minha vida, decidi fazer um post mais científico por assim se dizer. E de antemão vos informo: qualquer opinião política díspar a minha não tem espaço por aqui.

Pois eis a questão; vou falar de uma espécie, não tão nova assim, mas que cada vez mais toma vulto na minha vida: O socialista de sofá. Há alguns anos venho observando o hábito dessa criatura e cheguei a conclusões interessantes.

A espécie: Com uma população bastante heterogênea, o socialista de sofá pode começar como qualquer um, inclusive você. Normalmente é um jovem, com algum interesse político e uma disposição infinita de reclamar. Porém, tal qual diversas manifestações genéticas, o ambiente é de suma importância para seu desenvolvimento e futura evolução. Outra característica quase inerente também é o uso de um vocabulário próprio que envolve necessariamente o uso de uma das seguintes palavras em toda argumentação: povo, companheiro, massa, proletariado, burguesia, opressor, absurdo, marx, igualdade e capitalismo selvagem ( outros tipos de capitalismo curiosamente raramente são mencionados). Há alguns anos, com a disseminação das redes sociais a espécie ganhou força, passando a ter um espaço para expor sua sempre constante indignação com algo, reunir manifestantes, e compartilhar imagens com fundo vermelho e qualquer coisa escrita.

Habitat: Quando jovens, não possuem um habitat específico, mas em sua maioria podem ser encontrados em colégios particulares, ocasionalmente como representantes de turma. Com o passar do tempo ocorre uma definição mais clara destes pela área humana, sobretudo direito, filosofia e ciências sociais, no entanto alguns focos podem ser encontrados em qualquer curso universitário, comumente em bares, cafeterias com ar blasé e principalmente diretórios estudantis. O diretório estudantil é o refugio principal da raça, na qual socializam, se alimentam, e ocasionalmente se reproduzem (em geral somente nas festividades que estes promovem). Curiosamente, após o decorrer do dia a espécie costuma voltar para apartamentos com bastante conforto, muitas vezes em seus carros.

Alimentação: Por ser uma espécie heterogênea, é difícil a classificação, mas como um todo, sua alimentação é vegetariana, ou quando não é o caso gostariam que fosse. Quando o objetivo é alcançado um curioso fenômeno ocorre; o novo vegetariano gosta tanto do que ocorre que ele decide convencer todos a fazerem o mesmo. Tem por hábito ingerir álcool, nas mais variadas formas, e por vezes consomem folhas, porém suspeito que estas tenham mais cunho de lazer do que alimentação.

Lazer: Como supracitado, fazem uso de ervas, as quais afirmam ser naturais, e portanto não causam problema algum a ninguém. Tal qual o comportamento alimentar, tentam convencer o mundo ao seu redor a compartilhar, chegando a organizarem passeatas, das quais mandam convites incessantes. Outras atividades de lazer envolvem coito, embriaguez, e as discussões acaloradas sobre temas intelectuais ou cults. Sobre assuntos cults, um membro que mencione filmes fora do circuito, alguma banda absolutamente desconhecida ou algum filósofo, parece ter maior chance reprodutiva.

Vestimenta: Assunto polêmico! Existem aqueles que optam por um visual hippie/mendigo, aqueles que optam por roupas caras e de marca com uma aparência desleixada( como calças caras rasgadas e blusas xadrez de flanela), e ainda aqueles que abrangem ambos.

Vida adulta: Em dados aproximados, 70% dos socialistas de sofá são obrigados a crescer e se adequar a uma vida em sociedade, e acabam por tornarem-se capitalistas medíocres. 15% tornam-se políticos, dos quais 14% corrompem-se. 10% viram professores de história/filosofia/afins, e 5% conseguem fazer disso algo sério sem se tornarem adultos deploráveis, mas aqui vai uma ressalva há esse grupo: a recaída no exagero e intolerância é sempre iminente!

Texto dedicado a Amanda e Conrado

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Mel.


No momento eu não consigo dizer nada além de que eu amei muito

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Mais um ano.

Eu sou uma pessoa extremamente chata pra minha idade. Não sei se já fiz claro através do tempo nesse blog minha idade ou como sou – mas espero que saber o que eu penso tenha ajudado em algum sentido. Nesse exato momento tenho 20 anos e uma rotina razoavelmente parecida há alguns anos. Nunca fumei, nunca usei drogas, tive um único porre na minha vida e decidi nunca mais ter outro, minhas saídas não se estendem muito depois de meia noite, tenho o mesmo grupo de amigos a anos e quando encontro alguém legal tendo a juntá-lo ao grupo ao invés de pertencer a dois grupos, adoro namorar, ficar em casa, vídeo games, internet, ler, dormir, sair para os mesmos bares com as mesmas pessoas todos os fins de semana.

Sempre lidei bem com isso, mas hoje, após assistir 3798739 episódios de uma série debaixo das minhas cobertas e ficar feliz por ser exatamente o que eu queria eu fui no facebook e vi fotos das pessoas e das coisas incríveis que elas fazem. Por um momento realmente pensei se eu era uma pessoa chata pra minha idade. Foi quando esse texto começou.

E foi enumerando as coisas extremamente chatas pra minha idade que eu percebi que eu sou uma pessoa super foda pra minha idade. Eu não preciso me provar que eu sou legal ou feliz, minha felicidade não vem em maços ou em sensações coletivas de euforia em festas; eu sou feliz com o simples, com as mesmas pessoas nos mesmos lugares. É obvio, às vezes fica monótono, ou brigas acontecem, mas a vida de qualquer pessoa, mesmo do cara mais louco do mundo ocasionalmente arrefece, e quando isso acontece, eu tenho aconchego nos braços do melhor namorado do mundo ou colo com meus amigos que vão estar ali independente do meu bom humor.

E ai o sentimento de “inveja” passou. Eu vi naquelas fotos felizes lotadas de estranhos aquilo que eu sempre escutei a vida toda: amigos passam, quando você envelhecer você não vai ter tempo pra amizades, você vai ver, em alguns anos você esquece essas pessoas... É; eu posso não ter a juventude mais agitada do mundo, mas eu tive a melhor adolescência, e melhor juventude, e com certeza isso só vai melhorar com o passar do tempo. Porque eu tenho as melhores pessoas do mundo ao meu lado.

2012 estreou bem dentro de mim.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Meio cansada.

Então eis que você é estudante de medicina, ai você pode até pensar, status, futuro médico, almeja salvar vidas. Ou não. Estudante de medicina é a escoria. Não importa que você sabe muito bem alguma matéria, leu no livro mais moderno e na diretriz ou ainda numa metanálise super bem feita desse ano: você não é medico ainda, sua opinião não conta.
O ponto chave é eu o problema não é o paciente, mas sim sua família e amigos. Ou sempre querem que você saiba o impossível, ou nunca acreditam, ou acham que sabem mais, ou o dr. Não sei quem que me disse outra coisa.

E o que você faz quando essa hora chega? Quando sua sogra indica uma terapêutica absolutamente errada, seu padrasto acha que o colesterol alto está uma beleza, seu amigo hipocondríaco diz que a doença ordinária de pele dele é rara, seu genro prefere fazer exames complexos ao invés de acreditar em você e sua amiga diz que remédios psiquiátricos não são a solução pra nada?

Já achei muito triste a ignorância dos pacientes menos instruídos, hoje em dia acho que é uma benção tanto pra mim quanto para o tratamento deles.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Ligando a televisão aleatóriamente uma e meia da manha.

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Despedida.

Lá estava ela, calada no canto. Não sabia ao certo quando, mas sabia que seu momento estava chegando. Todas as coisas que possuía já tinham sido retiradas, e ao invés de leve sentia-se pelada; ou talvez esse sentimento fosse só meu.

Lembrei-me de quando ela chegou, da minha indiferença até o momento de tê-la, e mesmo com ela em minhas mãos, demorei a enxergar seu valor. Pobrezinha, cheia de problemas e complexos, que nunca eram completamente resolvidos.

Entrei, girei a chave, ouvi o motor e demos nossa ultima volta juntas; rápida e silenciosa. Mas é chegada a hora de se despedir, espero que você seja tão boa para alguém quanto você foi pra mim.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Me desculpe.

Mas eu não consigo mais. Eu sei que eu deveria seguir adiante, me doar mais, ser mais paciente, mas eu simplesmente não posso. Eu tenho gritado sem precisar, eu estou sempre nervosa e com 10 pedras na mão, eu não tenho mais doçura, eu não tenho mais nada a oferecer; nem pena eu consigo sentir, gastei o que restava comigo mesma.

Eu sei que eu sou um poço de egoísmo dizendo essas coisas, mas todo dia tem sido insuportável. Quero férias da minha vida, o mais rápido possível.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Eu.

Perdi uma parte do meu tempo de estudo relendo meus proprios textos e cheguei a melhor conclusão da noite, eu gosto muito de mim mesma!
E que bom que eu tenho um espaço pra ser egocentrica e parcial.
Boa Noite :)

domingo, 19 de junho de 2011

Clinicando.

Aqui estou eu querido blog, perdão pelo esquecimento tão longo, mas você sabe que é sempre assim. Até que hoje é diferente, não estou em sofrimento eminente (excetuando-se as provas), nem efusiva, hoje só deu saudades mesmo. Sabe o que eu acabei de perceber? Eu ponho tanto de mim aqui, mas nunca pus a medicina.

Engraçado, ela tem um papel tão fundamental, tão diário, tão inato, e eu só venho aqui nos hiatos dela, quando eu tenho uma trégua, quando algo está me ocupando mais a cabeça. Eu nunca venho contar um caso, fazer um relato ou qualquer coisa do gênero.

Bom, mas ainda não será dessa vez, não tenho atendido ultimamente, semana de provas e tudo mais, então nenhum caso específico pra contar. Esse período as coisas mudaram de figura, eu tenho mais contato com pessoas, doenças, tratamentos, e meus próprios erros.

A primeira vez que eu fui fazer uma anamnese eu percebi sentada na maca que eu não tinha a menor ideia do que fazer. Para melhorar a situação pegamos uma professora super severa, que deu vários trancos no grupo. Bom pra nós. Daquele dia em diante as coisas só melhoraram. Atualmente ainda não sei fazer uma boa anamnese, toda vez que eu sento pra reler meus dados eu vejo quanta coisa ainda precisa ser feita; exame físico então nem se fala, são milhões de atos falhos, mas não vou dizer que não houve progresso.

O maior aprendizado que eu tirei desse período foi aprender a confiar mais em mim e controlar minha teimosia. Eu sei que parecem opostos, que quanto mais eu confio em mim mais teimosa eu fico, mas juro que não foi o caso; do contrario, aprendi a ter mais equilíbrio entre ambos, saber a quem eu devo abaixar a cabeça mesmo discordando e manter minha opnião caso eu tenha convicção dela. Um professor tem um status quo, e se ele quer me passar um conhecimento próprio dele cabe a ele e eu não devo contestar, já absorver ou não cabe a mim. Acho que esse senso crítico deveria ser ganho por todos os alunos que iniciam no ciclo médico. A medicina se aplica em humanos e é lecionada por humanos, existem padrões, mas não fórmulas exatas, cabe ao aluno aprender a ser criterioso, pois é aqui que começa a se formar sua personalidade médica.

Ou não. Já discordei de tanta coisa que eu escrevi convicta por essas páginas...